O Grande Masturbador (1929).

Salvador Dalí, O Grande Masturbador (1929). Fonte: Wikipedia
O sono derrete a paisagem de ocre e medo,
Onde a beleza é uma pálpebra de açafrão
Pousada sobre o silêncio do deserto.
Um rosto gigante, macio como será esquecida,
Sonha com as areias do inconsciente.
Sobre a face adormecida, o grilo mecânico raspa a angústia,
Suas pernas de arame contando segredos antigos,
Enquanto formigas pretas, como pensamentos obsessivos,
Trilham caminhos de fetiche e mármore.
O amor é um abraço de pedra macia no horizonte,
Onde dois corpos nus, sem rosto e eternos,
Se entrelaçam no nicho da memória.
A libido ruge com a juba de fogo do leão,
Língua de desejo lambendo o vazio ardente.
Há um lírio que cresce na areia, puro e ereto,
Escondendo o segredo de sua própria primavera.
E os relógios moles escorrem como lágrimas de cera,
Pois o tempo é apenas um espelho rachado,
Onde o sexo e a morte dançam,
No reflexo dourado de um quadro que nos devora.
REFERÊNCIA DA OBRA ANALISADA
DALÍ, Salvador. O Grande Masturbador (El gran masturbador). 1929. Óleo sobre tela, 110 cm × 150 cm. Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri.